domingo, 15 de fevereiro de 2009

Este es el tiempo (Ten years after - Diez años después)

Ese día, sentado al piano silencioso, escribía, volviendo de la playa. Hiciera ejercicios con su novia, miraran el jardín, se amaran uno al otro, admirando la belleza recíproca. Desayunaran en la sala de abajo, en la mesa mandálica. El mar los recibiera. Cosa rara, ella se bañara. El mar la llevaba como en arrullo. Se veía bonita. El cuerpo delineado en el aire, conteniéndolo todo. El olor de las flores en el camino a casa, los envolvería. En el trayecto, una caja de son caída. ¿Adónde habrían ido los acordes? Llevaría el auto al taller, mañana. Hoy estaba aquí, tecleando para nadie, para vos, si te atreviste a ver detrás de las paredes que ayer te has levantado. El sol brillaba como hacía muchos días no lo hiciera, escondido en la lluvia y las nubes. La lluvia y las nubes dejaran un agujero. Los pájaros cantaban. No estás solo, escuchó. La enredadera azul. El florero de Nina. Mamá. Un día como éste, pensó, estaría en el parque, con Carolina. O llevando Natalia a peteco. O Leo en los hombros, a cococho. O yendo con el Toty a comprar pipoca. Pero el tiempo era ahora. Esa pasionaria. La veía siempre. Pasiflora. No te pongas teológico. Basta la vida. Esto ya es bastante. Respirar ya es bastante. Estar vivo ya es mucho. ¿No te parece? Este es el tiempo. Ahora. Ya.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

A escrivaninha de seu Chico - El escritorio de don Francisco

Francisco Pires Fereira e Rolando Lazarte, autor deste texto, entrelaçam histórias. Marceneiro um, terapeuta comunitário e escritor o outro, a cessão de uma escrivaninha feita a mão pelo primeiro, deslancha novamente o processo criativo do segundo.

Seu Chico cedeu-me uma escrivaninha que ele mesmo fez. Ele e dona Marieta carregaram o móvel até ajeitá-lo no portamalas do meu carro. Ele tem mais de 80 anos. Lavrador de Conceição, pai de Maria, minha mulher, portador de muitas histórias, cedeu-me a peça feita pelas suas próprias mãos, marceneiro, a mim, sociólogo e escritor, eras depois nascido, aqui, na frente do computador, às minhas costas, a escrivaninha de seu Chico me faz companhia.

Fazia tempos que não escrevia nada, mas hoje, depois de saber que o móvel feito a mão pelo meu sogro, viria me sevir para exercitar meu ofício, aqui estou, outra vez. Não é um caderno, não é uma caderneta, não são folhas de papel, mas são folhas de qualquer modo, algum tipo de folhas que poderás, passageiro do ônibus que esperas no ponto, saborear ao teu bel prazer ou, pelo contrário, deixá-las ir no vento. Isto me é indistinto, pois, saídas da pena do escritor, todas as folhas são do vento.

Seu Chico chegou em João Pessoa em 1979. Um dos seus primeiros trabalhos, quando morava na rua Riachuelo, foi de marceneiro. Até hoje, seu olhar se ilumina de alegria, ao contar dos seus primeiros passos na grande cidade, com Tizé, com quem pintavam casas no Bessa. Joselia, uma das suas filhas, mora no Bessa. Outra, Luzimar, o faz, com um sem número de pequenininhos, na casa da rua Riachuelo onde seu Chico começou a vida na cidade.

Luzimar trabalha de costureira nas horas vagas, como dona Marieta o fizera em Conceição, depois de saírem do sítio Maria Soares, onde Maria nasceu. Era um tempo de alegria, dos meninos ajudarem o pai, que fazia moldes para rapadura. Maria levava comida pros trabalhadores no sítio, trabalhava na colheita do algodão. Era um tempo de alegria. O pai de dona Marieta foi morto por causa da posse da terra. Maria não chegou a conhecê-lo. Hoje moram ambos, dona Marieta e seu Chico, na Cidade Verde, em Mangabeira, em frente de um cajuzal onde Romero, meu cunhado, e Mara, sua mulher, colhem frutas que partilham.

Matheus, filho de Mara, sorri no seu sorriso maroto. Marayara, sua irmã, é bem bonita, e ajuda a mãe nos afazeres domésticos. Gilvandro, o marido de Josélia, é construtor, como Arturo fora, só que de casas de menor padrão do que as que Arturo fizera com os planos de Gita. Somente com 20 anos, é que seu Chico foi usar sapatos. É católico fervoroso. Hoje, quando fui pegar a escrivaninha na sua casa, tinha um rosário enrolado encima de uma das cadeiras que hoje estão comigo.

Hoje carreguei terra para dentro de casa. Acompanhamos o casal ao banco, para receberem seus proventos de aposentadoria. Depois fomos para o supermercado, onde algumas compras foram feitas, como leite, bolachas, etc.

De tarde, compramos alguns móveis na rua da República, sabor a tempo. Maria reencontrou um buffet que virá para a sala da minha casa. Será uma casa de verdade.

E eu, com a escrivaninha de seu Chico às minhas costas, também serei (ou já ou) um escritor de verdade. Para não ser dito que não me prezo, que estou com baixa autoestima, ou coisas assim, direi apenas que, com escrivaninha em casa, sinto ser um escritor de verdade, com todas as letras.

Marcadores: Escrivaninha; produção de textos; contexto; Brasil rural; mudança de hábito; el ámbito interno; histórias (contadores de); recordadores de historias (los terapautas comunitarios).

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Tive uma relação conflitiva com a Igreja posconciliar, a do Vaticano II.

Esta aclaração redundante se faz necessária, uma vez que estou falando para mim mesmo. Busco, nestas linhas, tratar de entender melhor o que a leitura do livro do Padre José Comblin, “A Profecia na Igreja, da Editora Paulus,” despertou em mim.

Esta ressonância será parcial, creio, como toda tentativa de qualquer coisa. A aceitação da incompletude, base da pedagogia de Paulo Freire, começa a fazer parte da minha vida . Criado numa família de três irmãos, pai médico e mãe dona de casa (arquiteta, educadora, escritora, mística), recebi em casa os fundamentos da espiritualidade.

Uma estatueta de Cristo Jesús apontando com o dedo para o coração, que para mim era o próprio Cristo, de quem pouco sabia. Mamãe nos lia histórias bíblicas e da vida de Jesus. “La señora del espino blanco”, falava da vida de Maria, mãe de Deus. Uma outra, relatava as peripécias de Noé às voltas com o Dilúvio. Meus pais foram, como eu fui, da seita (como os católicos a chamavam) dos Cavalheiros Americanos do Fogo, em Mendoza, oeste da Argentina. Província conservadora ao pé da cordilheira dos Andes, na escola a pergunta pela religião era inevitável. Diga que és deísta, dizia papai quando eu lhe manifestava as minhas apreensões frente à alternativa de mentir ou dizer a verdade frente à pergunta: Ès católico? ou qual é a tua religião?.

Os evangélicos eram escanteados, e nem pensar nas outras religiões. A minha, eu me negava a qualificar como seita, termo despectivo. Sempre gostei das ordens esotéricas: Rosacruzes, onde aprendi muito do Cristo real, a pessoa humana de Jesus, coisa que aprendi mais tarde também na leitura, num retiro espiritual em Pedra Azul, Espírito Santo, no livro “Cristo e os essênios”, se é que estou bem lembrado do nome. Edouard Schuré, dos “Grandes Iniciados,” bem como Khalil Gibran , Nikos Kazantzakis, e San Francisco de Assis, me levavam para outro Cristo. Um Cristo mais humano, mais perto. Assim também, Chico Xavier e os espíritas de Kardek ou os irmãos da Legião da Boa Vontade.

Ramakrishna, o santo indiano que vivenciou Cristo em si mesmo, em experiência relatada por Romain Rolland no “E evangelho de Ramakrishna”, de Editorial Kier, marcou minha adolescência. Brahmananda, Yogananda, Blavatsky, Bessant, Romain Rolland, Krishnamurti, Leadbeater. O corpo etéreo, A aura astral, Aos pés do mestre. Assim falava Zarathustra, de Nietzsche, na contracorrente. Aliás, a corrente do contra sempre me seduziu. Vivi em meio a correntes opostas. “Papai pra um lado, mamãe para outro,” parecia-me ser a realidade em casa. Como o São Francisco de Assis na biografia de Kazantzakis, parecia-me viver num mundo dilacerado por forças contrárias, em mim e no mundo exterior mais próximo. Aprenderia, muito mais tarde, que aquilo que via no externo, era reflexo do interno. A Ânsia de libertação e o apego ao passado, a ressurreição de Hes e a Dama Negra, o estandarte e o abismo, a razão e a intuição, fé e política.

E, nos anos 1960, na Argentina dos governos marionete que sucederam ao golpe que derrubou Perón em 1955, um fato viria mudar a minha vida: o golpe militar de 1966. O presidente Illia expulso aos empurrões da casa Rosada. Eu estudava no Liceo Agrícola y Enológico Domingo Faustino Sarmiento, em San José, Guaymallén. No dia 28 de junho, não entramos em sala de aula, e fomos ao centro da cidade protestar. Eu tinha 13 anos. Estudantes universitários e outras pessoas se juntaram ao protesto, bem como os secundaristas do Colégio Nacional Agustín Álvarez e os companheiros da Universidad Tecnológica Nacional.

Em 1969 , ano da chegada do homem à lua, ingressei na Sagrada Ordem dos Cavalheiros Americanos do Fogo, fundada por Santiago Bovisio, chamado “Dom Santiago.” Numa forte cisão entre vida material (mundana) e espiritual (o comportamento definido e vigiado pelos superiores, numa relação de obediência), aprendi a deixar de ir aos bailes e festas, bebidas ou sexo nem pensar. Sentia-me sapo de outro poço entre meus colegas de idade e de escola, na rua, em qualquer lugar.

Em 1970, a onda hippie e da contracultura arrefecia, os grupos de Hijos de Dios de Mo, bem como os mórmons, testemunhas de Jeová, Adventistas e Evangélicos em geral, disputavam as atenções deste jovem já de seus 17 anos, que queria começar a namorar e a ser parte do mundo normal, depois de 4 anos de reclusão no internato dos bovisianos em Córdoba.

Não era fácil. A militância, o trabalho o estudo, as guitarreadas, as reuniões espirituais, a mobilização social, foram outras tantas tentativas do ETzinho se sentir parte do mundo, da vida, da gente, da humanidade.

Em 1972, o mendozazo. Já na época, chamavam minha atenção os Sacerdotes del Tercer Mundo, que publicavam na revista “Cristianismo y Revolución” de García Ellorrio. Eu era estudante de sociologia na época, e o conflito revolução interior-social estava na ordem do dia. Eles pareciam juntar as coisas. Seduzia-me, mas me dava má espinha, como se diz em castelhano: me daba mala espina. Suspeitava dessa Igreja guerrilheira que colava cartazes de um Cristo com metralhadora da OSPAAL pelas ruas de Mendoza. Rolando Concatti e o pessoal freireano, Ezequiel Ander-Egg, as meninas de Oikia, Daniel, Luciano, Carmelo Cortese, vinham com essa perspectiva, que incorporamos no novo curriculum da carreira de sociologia, que durou até 1974, no retrocesso da missão Ivanissevich.

Em 1977, após a expulsão da universidade, num clima de desolação, sem amigos, com medo (todo mundo tinha, não só eu), no segundo ano da ditadura de Videla, fiz o exército. Expulso da acsa de altos estudos como subversivo, nem percebia o alcance da acusação. Era um elogio. Mas os subversivos eram mortos. Meu Cristo interior unia-se à Divina Mãe, adorada em Cafh. Eram um só e me guiavam. No exéricto, em Puente del Inca, orávamos de manhã com Darío Martinez, Rubén Dallapé e Hugo Cabezas.

Mas voltando à vaca fria: pensava que a Igreja de esquerda era como os Montoneros, algo estranho. Cheirava mal. Igreja, na minha visão, era exploração, ditadura, genocídio. Os bispos ao lado dos algozes. Caggiano ao lado de Onganía, o golpista de 1966. Um outro prelado, ao lado de Massera e cia., em 1976. É certo que havia os metodistas, o pessoal do ACNUR, que socorria os exilados chilenos fugindo de Pinochet.

Mas na minha mente tudo estava confuso. Weber me aclararia depois, já no Brasil, em São Paulo e João Pessoa. Mas Comblin me aclara mais. E o silêncio em que suas palavras me deixam, merece ficar ali. Sei que tenho muito a aprender. E se estas palavras soam a mea culpa, não faz mal. Talvez seja. Talvez seja necessário um mea culpa para começar uma nova caminhada, ou perceber que nunca se saiu dela, que a confusão é apenas mental. Hoje trabalho como terapeuta comunitário e na tradução do livro de Adalberto Barreto (“Terapia Comunitária passo a passo”), e nesta tarefa e convívio, nesta colaboração em que me reconstruo junto com tanta gente do Brasil e da América Latina, se refaz a minha história, a história que me tocou viver. Ainda há confusões, mas a luz se aproxima.

Este ano a Terapia Comunitária chega à Argentina. Já está em andamento no Uruguay, vai pra Venezuela, e sei que nesta missão de paz e de fraternidade, de amor e de confiança, de esperança e alegria, um Cristo que nos anima a todos e a todas, alguém que nas páginas e no sentir, na clara expressão e na profundidade profética do livro do Pe. Comblin, escolheu os pobres, por causa da gratuidade, da ética do não dinheiro, da solidariedade. Pode ser que não entenda muito ainda desta Igreja que desconheci, que admirei e invejei, da qual desconfiei pensando se tratar de mais uma estratégia de dominação da velha instituição queimadora de hereges e aliada dos poderosos. Hoje sei que é outra Igreja, uma que cava na contracorrente e trabalha por Aquilo que não morre.

Não há palavras conclusivas para este breve relato. A marcha está apenas começando, ou, talvez, nunca parou. É a eterna caminhada da humanidade em busca de si mesma.

Volvía la naturalidad de la vida.

Volvía la naturalidad de la vida.
La vida tal como es.
La vida simple.
Vida.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Para mí, la vida es bastante.

Para mí, Brasil tendría siempre el sabor de la vida.
A partir de un cierto momento, la persona se torna espectadora de algo inimaginable, divino, maravilloso.

Las cosas le sorprenden como al comienzo, en el tiempo virginal en que, niños, vamos viendo todo por primera vez.

Es el tiempo de la gracia, el tiempo de descuento, cuando, cumplidas las tareas de la vida, ésta es vivida como un don divino.

Como un don.

Para mí, la vida es bastante.

No sé si es un buen poema, ni siquiera si es un poema, o si refleja lo que quiero compartir con ustedes. Creo (y espero) que a pesar de las palabras, o del uso no muy maestro de las mismas en esta hora de advenimiento, les llegue el sentir pleno de ser feliz, de estar en paz con la vida y con el mundo, con mí mismo y contigo que me lees, leyéndote e ti mismo en la eterna escritura indescifrable cuyo libro es el tiempo (Borges).

Pensaba si sería ya el tiempo de ser no más que tiempo. Apenas tiempo y nada más.
Disuelta la ilusión de una existencia separada, las viejas dicotomías mío/tuyo, humano/divino, esto/aquello,

Maravillarse con el simple hecho de estar vivo, de estar respirando, de sentir, pensar, recordar, amar.

Para mí, la vida es bastante.

sábado, 20 de dezembro de 2008

Terapeutas de todos los países, uníos

No es fácil ser loco
Romper rutinas sin romperse todo.
Ser uno mismo todo el tiempo, aún sin saber quién eres.
Ser espontáneo, aún sin saber qué quieres, o qué es siempre lo bueno y lo malo.
Lo malo ya lo sabes, es lo que te hace mal o lo que le hace mal a los otros.
Lo que es bueno no siempre lo sabes. Son tantas voces en la cabeza.
Ya lo dicen Los Beatles en The Fol. on the Hill.
Ahora ellos cantan You say you want a Revolution.
You must to free your mind instead.
Vengo tratando insistente, arduamente, desde los lejanos años del ayer.
No sé si lo he conseguido. Mamá dice que sí.
Mamá se fue a recorrer caminos de corazón por los cielos, por la tierra, por el viento, no sé dónde está mamá.
Ramón se había ido años antes, en 1999, a buscar caminos de corazón entre las estrellas. Él es una estrella, es un egipcio. Los dos volvieron en sueños.
Por eso no creo en la muerte. Hay transcripciones.
Ambos transcribieron vida en sus vidas, escribieron libros y en nuestros corazones. Recuerdo abuelita Oliva cuando yo le leía Gérmenes de futuro en el hombre, allá por 1966.
El Bugsy en el patio corriendo entre las plantas, patinando en la sala, en el piso encerado. No había patinador como él. El Bugsy se fue en algún día frío, muy frío, de 1970. No sé dónde andará. Lo vi asomarse al lado de acá de la hoja, a este sueño que sueña no soñar. Y sé que nos espera del lado de allá.
Cuando llegue a la casa del Padre, a la casa de la Madre que amé toda mi vida, el Bugsy, mamá, Ramón, Tito Barrera, Ana Suzette, el Sr. Romeu, Mamina, la abuelita Oliva, vendrán a recibirme. Dom Fragoso, con certeza. Lennon y George Harrison.
El Che Guevara. Mahatma Gandhi.
Yo sé que sí.
Me acompañaron todos los días de mi vida mientras anduve por el lado de acá de la hoja. Ciertamente me acompañarán también cuando ande, como ellos, del lado de allá de esa misma hoja.
La vida es una hoja.
Escribimos con nuestros pies, con nuestro andar de aquí para allá, del lado de acá de la hoja. Un día pasamos al lado de allá, no se sabe bien como, cada uno conta uma história. Pasamos al lado de allá y seguimos escribiendo historias con nuestros pies, con nuestros vuelos. A rigor, não há morte, repito e todo poeta sabe. Morte não há. Há transcrições. Transcripciones. Transcriptions. Por eso Gandhi no tenía miedo a la muerte. La muerte es mi amiga, decía, pocas horas antes de morrer.
Lennon também se despediu.
Un guerrero se despede. Para a morte, pede licença, e se despede deste belo mundo.
San Francisco também se despediu. Cristo. Mamá.
Talvez vos y yo también nos hayamos despedido. No me gustaría irme con bronca de mi vecino mecánico o de su mujer desequilibrada. Es mejor el ruido de metal que el silencio ominoso de Ornildo, que espiaba por el muro.
¿Qué esperaría ver? ¿Qué miraba yo por el otro lado del muro? Los pechitos duritos de su esposa que lavaba ropa todo el día.
Esta rubia oxigenada que me llamó de argentino safado no sabe lo que es un argentino ni un safado. Pobre idiota, que se cree artista. Al menos ya no jode con su insomnio. ¿Habrá muerto?
Argentino es un retornante. Conservate en el rincón donde comenzó tu existencia, vaca que cambia de querencia se atrasa en la parición, dice el Martín Fierro.
Este año de 2008 fue el de mi retorno.
Hasta la desgracia me trajo decisiones. No se puede andar por dos caminos, servir a dos señores. El mal es malo, aunque dé placer. La macoña también daba, y era mala. El alcohol en exceso también es malo, y da placer. Hay placeres que matan.
Los escritores tenemos un papel especial en la redención de dolores colectivos, alguien dijo. Un escritor. Eduardo Mugnagna. ¿Quién puede pagarle a un exilado para que vuelva? Todos tuvimos que exilarnos en 1976, cuando los carniceros salieron a ganarse su pan con la sangre de sus hermanos.
Andan sueltos como si le hubieran prestado un servicio a la patria.
Este año de 2008, vestí, visto, vestiré indefinidamente hacia delante, a los costados, arriba, atrás y alrededor, hacia todos los lados, la camiseta de la Terapia Comunitaria.
Conté en Venezuela mi experiencia, cómo volví del exilio interior a que me condenara la saña del odio genocida de los milicos mercenarios y torturadores en la Argentina de la antipatria, los arduos años del horror videlista, masserista, martinezdehozista, menemista. Los años de la Argentina dada vuelta. Los años del deme dos.
Renacerá Argentina de sus ruinas y lo hará del modo terapéutico comunitario que con Barreto y los TCs aprendí, aprendemos, recordamos. Nadie se fue solo, nadie vuelve solo.
Nadie se enferma solo, nadie sana solo.
Nos enfermamos colectivamente, sanamos colectivamente.
No con terapia de grupo, pero sí con terapia social.
Terapia socialista.
Terapia comunitaria.
Terapia cristiana. Que no son sinónimos, pero jugá con las palabras.
Permitite despegar los rótulos de los envases, y mirá el agua.
Todos los ríos dan al mar, pero éste nunca se llenará. Las mujeres no mueren, los hombres son ríos que dan al mar.
Conservate cerca de la fuente de donde brotan las aguas de la vida. Agua.
Vida.
2009. Allá vamos, Argentina. Allá vamos, Misiones. Allá vamos, Mendoza, Córdoba, San Luis, Bariloche, Rio Cuarto, Villa Mercedes, Rosario, Buenos Aires, Santiago del Estero, Catamarca, La Rioja, Chubut, La Pampa, Chaco, Formosa, Entre Ríos,
San Juan. Puerto Madryn, Capilla del Monte, Cacheuta, Chilecito, Villavicencio, Carrizal, Villa Dolores, Alta Gracia, San Genaro, La Plata, Mar del Plata, Flores, Belgrano. Valdivia, Puerto Montt, Chillán, La Serena,
Rio Tinto, Bahía da Traição, Serra Redonda, Guaratinguetá, Gobernador Benegas. Allí donde vos estás. La patria no es allá o acá: es donde vos estás, o en ningún lugar.
Hermann Hesse.
No es fácil ser loco, peor es muy lindo. Y talvez ser apenas ser vos mismo. Ser el que sos.
El que solamente vos podés ser.
Dios no hizo dos personas iguales, ni vos serías igual a mí, o yo igual a vos, o alguien igual a alguien más. Podemos parecernos, pero no somos iguales, nunca seríamos. Una hoja no es igual a otra.
Nadie le enseña nada a nadie. Juntos recordamos. Eso es todo. Barra de Cunhaú, Ocas do Indio, el autódromo, todo era un mapa que se cosía. Pulsaba como un corazón, como un mundo mágico de amor y paz. Era el mundo que quería, era ese mundo, yo era ese mundo. All you need is love. Y yo también. Es muy lindo. No sé si me explico. Ya.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Este año Mendoza

Un exilado de Godoy Cruz, Mendoza, hoy viviendo en Cabo Branco,Paraíba, recuerda, 32 años depués, el hoy (presente de deus). Obrigado.

Este año Mendoza se acordó de mí. 32 años después. 55 años después. Roberto Vélez, Rolando Concatti. Carmelo Cortese. Paco Martín. Graciela Cousinet. Marcelo Nazar. Conservate en el rincón donde comenzó tu existencia, dice el Martín Fierro. Vaca que cambia de querencia se atrasa en la parición. Pues me atrasé, sí, madre. Me atrasé, Mendoza. Años después, volví a nacer en tu seno, de tu seno, de tus mis montañas. Descubrí que pertenezco a tu historia, pertenezco a vos. Te pertenezco. Mi madre ya no anda por la calle Clark con su mirada en el Dios que amó toda su vida. Mi padre anda cuidando de sus plantas, como siempre. Y un ocho de diciembre, este Rolando Lazarte egocéntrico y febril, el loco Lazarte, atravesaba la frontera en 1977. Dainel Roitman rumbeaba para los States. Roberto Vélez en prisión. Paco Martín a Colombia, Aldo Isuani a Pittsburg. Paco volvería a Brasil, donde nos encontramos en 1982, creo, yo trabajando con los curas de la pastoral do migrante. Nada puedes decir que no haya sido ya dicho, cantan Los Beatles, esos sabios musiqueros. Gladys Guíñez en algún lugar de la provincia de Buenos Aires. Alcia Hisrchhorn por allí también. Lelia García en Mercedes. No nos hemos dispersado. Apenas los cuerpos están separados. Un solo corazón. Un único sentir nos congrega. El canto de la tierra. El MEDH, de la calle San Lorenzo, se acordó de este hijo pródigo, egocéntrico y loco. Ahora terapeuta comunitario y de la iglesia de los pobres. Ana Vigarani, Dom Fragoso. Camilo Torres. Dom Helder Câmara. Alder Júlio. Paulo Freire. Mendoza se acuerda de quien se acuerda de Mendoza. ¿Cómo olvidarte, tierra querida, si esta mañana vengo de la floricultura de la beira rio, con cipreses, banderas españolas, alegrías del hogar, menta, que aquí se llama hortelã? ¿Cómo olvidarte si olvidarte sería olvidarme de mí y no me olvido? Si la montaña y el mar son espejo, reflejo uno del otro, y esta mañana y ayer, y tantas tardes y mañanas en estos años todos, pero especialmente en este bendito año de gracia de 2008, el mar de Cabo Branco, en João Pessoa, el mar de Yogananda, el mar de Jesús y de la Divina Madre, el mar me llama, ese antiguo ser, y recuerdo la canción de Serrat (dejé los montes y me vine al mar, porque te quiero a ti), el mar me llama y me voy. Chau, Mendoza, montaña, mar. María Mar. María Mar. Trote, marrr!

Palabras clave: Memoria. Historia. Relatos de vida. Derechos humanos. Amigos. Amor. Saudades. Sentimentos. Brasil. Argentina. Mendoza. João Pessoa. Montaña. Mar. María.